sexta-feira, 26 de maio de 2017

To be continue...




Parte I

Não imaginavam o quanto sofreriam, cada um com seu orgulho, pela falta que um faria ao outro, quando se despediram naquela noite.

Ela, sem acreditar que ele havia acatado à sua proposta, teve medo de cometer o maior erro de sua vida. Ele, esperando que ela tivesse (in)certeza daquilo que havia pedido, remoeu por dentro os ciúmes que o corroía, e a deixou.

Olharam-se nos olhos e ela pediu “beija-me logo e não me deixe partir”, mas na verdade não moveu os lábios.

Enxergaram ali o amor que existia entre os dois. Ele a beijou sabendo que não seria o último beijo, mas teve que engolir a seco o sabor do “me dá um tempo” recheado com um “sim” sem nenhum tempero de verdade de suas partes.

Afastou-se e disse “eu te amo, vem aqui, não vou deixá-la partir”, mas também não deixou sonorizar nenhuma palavra que ela pudesse escutar.

Subiu as escadas sem olhar para trás e soube que ela havia seguido pela mesma rua que o deixou naquela noite.

A falta dele a fez perder o sono pelas noites seguintes e deixou os dias sem graça. Teve raiva da frieza e da sinceridade que ele demonstrou. Prática, era ela o equilíbrio racional da relação e não esperava que ele pendesse para o lado dela. “Não podia ter feito isso”, reclamou ao virar-se na cama, imaginando o abraço que ali faltava.

Agarrou-se ao amor do filho e da pequena Cristal, a cachorrinha que ele tanto gostava de segurar na hora dos banhos de domingo, e tentou dormir.

A falta dela o fez perder o sono pelas noites seguintes e deixou os dias mais longos. Teve raiva da frieza com que ela havia lhe pedido para pensar. Romântico, era ele o equilíbrio das emoções da relação entre os dois e não esperava que ela dissesse aquilo logo depois de fazerem amor. “Não podia ter feito isso”, reclamou ao abraçar o travesseiro como se aconchasse a ela na cama vazia.

E agarrou-se aos amigos que estiveram com ele quase o tempo todo, menos no domingo à tarde, quando a dor parece ser maior para todo mundo.

Parte II

Não imaginavam que estariam lado a lado no próximo encontro. Mas, “dizem que o amor atrai”.

Sem ter opção, ele se aproximou em silêncio templário que o local exigia e sentou-se ali sob o olhar de todos que o condenavam pelo atraso na reunião que participavam.

Ele sorriu sem graça, mas ela notou o brilho nos olhos dele.

Ela fez que não se importou mas olhou pra ele e disse “achei que você não viesse, estava ansiosa para te ver, fica aqui comigo”, e em pensamento, junto com suas palavras imaginárias, deitou-se sobre o colo dele que, com as mãos trêmulas e frias – sempre fica assim quando está nervoso – a acariciava o rosto e os cabelos.

Saíram dali com sinais do corpo. Os braços cruzados os defendiam, mas queriam mesmo era entrelaçar os bracos em abraços que os permitissem sentir o coração um do outro, numa proteção mutua.

- Eu te amo, disse ele.

- Eu também te amo, sabia?

E finalmente se abraçaram.

Parte III


Pediu a ela que não partisse quando se encontraram deitados lado a lado, uma noite antes dela embarcar para uma viagem que poderia mudar as vidas. Ela demonstrou seu amor e seu medo, mas sabia que tinha que ir.

Os dois se olharam nos olhos e se desejaram como sempre se desejaram. Mas na prática tiveram medo daquele momento ser uma despedida. E se fosse, seria merecida, pois teriam corrigido os erros da última vez que fizeram amor. Mas foram prudentes.

O sol raiou e as flores a fizeram sorrir com ar de quem reconhece estar apaixonada por tanto carinho.

Dividiu com ele as suas maiores alegrias daquele dia, mas precisou partir.

- Embarque encerrado, avisou a ele.

- Me leve em seu coração, pediu a ela.


Não imaginavam que se amavam tanto e o quanto queriam (e querem) estar perto um do outro.

To be continue...

Or not.