quarta-feira, 2 de março de 2016

Bailarina mulher



Já não era mais menina quando a vi pela última vez.
Já não era clássica nem usava sapatilhas.
Mas agora havia o charme em seus movimentos e o renascimento era de uma linda mulher.

Mulher que se transformara na dança, pela dança.
Mulher que com seu olhar, por detrás dos seus cabelos, insinuava-se a mim com sensualidade. Mulher que me estendera a mão a me convidar para a sua dança.

Fiquei estático. Tentado.

Ousei colocar o meu corpo em movimento e deixei que ela me conduzisse.
Já não tinha controle sobre o meu corpo e ela me envolvia em seus braços e abraços.
Me soltava como se me deixasse partir, com a segurança de que me buscaria de volta em dois ou três passos.

A cada movimento, o coração acelerado.
A cada salto, a boca seca de tensão e de desejo.
Tensão pela fragilidade feminina em risco
Desejo pela sedução que envolvia todo o meu ser.

Os corpos em movimento buscavam a expansão... queriam ocupar todo o espaço e cada espaço em nossos copos querendo sentir o calor do outro na pele que ardia.

E nada mais foi passageiro com o fim da dança.
O seu corpo suado, deitado sob o céu, estava pronto.
Seu olhar, sem nada a esconder, refletia sua alma.

Seduzido rendi-me aos seus encantos.

E encantado beijei a sua boca de mulher.