terça-feira, 28 de abril de 2015

Sobre o prazer



Toda a ternura emana de teus olhos
Todo desejo, de sua boca
Todo calor, do seu corpo
Todo calar, da falta de fôlego.

Todo calafrio é causado pela boca
Que desce aberta pelas costas
E retorce o corpo além da alma.

Todo sexo emana do seu sexo
Toda vontade, do querer mais
Todo suspiro, do êxtase
Toda calmaria, do gozo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Cabelos molhados



Era um domingo pela manhã quando a vi sair do banho. Ainda molhada, enrolava o seu corpo a um roupão como uma maçã é envolta delicadamente a um papel de seda. Em sua pele, pequenas gotas ainda eram absorvidas pela sua alvidez. O rosto limpo, estampava um sorriso sagaz. Por de trás do cabelos molhados, o seu olhar maliciosos provocava em mim uma excitação corporal, que crescia a cada passo em minha direção.


Uma perna acima da cama sinalizava que ali era o meu limite. Ao mesmo tempo exibia o seu poder de sedução enquanto deslisava as suas mãos de baixo para cima, em movimentos que hidratavam e me convidavam a descobri-la. Subia, sua perna à mostra. Descia e o seu corpo inclinado provocava uma barreira para que eu não a visse. Não era permitido. E quando se mostrava, fazia com que a minha boca desejasse cada vez mais matar aquela sede provocada por seu calor.

Outra perna, a mesma cena. E quando terminou pela segunda vez, ao levantar-se por inteira, desprende-se dela o roupão, como se a libertasse para uma batalha. Mais um olhar, e eu aflito. Outros dois passos e engoli o seco da garganta que me ofegava.

Sentou-se à beira da cama e ignorou-me com suas costas, como se me obrigasse a continuar o trabalho de labuzar a sua pele com óleo. Nada santo, mas obediente, ajoelhei-me. Uma mão em um ombro, enquanto a outra desviava o seu cabelo, fazia movimentos que pareciam agradar, pois se movia como uma felina, mostrando aonde queria ser tocada. Outra mão, outro ombro. Depois pelo pescoço e... eis que uma gota de óleo escorre por suas costas, como um calafrio toma conta da espinha. E antes que repousasse ao final, busquei-o para que se espalhasse pelo se corpo.

O excesso me fez deslizar sobre seus peitos. Depois pelo seu umbigo e pela cintura, até então tocar as suas pernas.

Como se me proibisse, levantou-se bruscamente. Caminhou até a poltrona no canto do quarto e sentou-se como se abanca uma rainha no trono.

Escravo de sua sedução, rastejei-me até repousar entre suas pernas. O poder de sua mão me proibira. A minha sede aumentava.

Guiando-me sob suas vontades libertou-me do martírio. Conduziu-me por onde quis, e me entregou ao poço de seus desejos, para que eu saciasse a aridez que me dominava.
Enfim, provei do seu gosto. Do jeito que ela quis que fosse.