quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sobre Clarice Lispector


Não poderia fechar 2010 sem passar pelo Templo da Palavra.
Confesso que foi bem mais complicado escrever aqui durante esse ano, mas não poderia ignorar. Talvez por ter lido hoje algo de Clarice Lispector e ter tido um pouco de inveja da sabedoria e competência, dessa que foi umas das maiores escritoras da nossa literatura.

Clarice tem a sua narrativa mórbida e sedutora. São excitantes suas palavras ou a nossa imaginação frágil? “Uma aprendizagem ou o livro dos Prazeres”  trata sobre tudo isso. Sobre esse tesão absoluto do ser humano, em ser humano em suas sensações e pensamentos mais profundos. Vale a pena ler.



"Foi então deitados no chão, que se amaram tão profundamente que tiveram medo da própria grandeza deles.."(Clarice Lispector)

domingo, 12 de setembro de 2010

De repente ela surgiu.
Do nada.

Parecia que nunca mais surgiria, como surgira em uma noite de reveillon.
Linda; dourada; atrás dos montes cercados por estrelas que quase se ofuscavam com seu brilho.
Foi a Lua Cheia mais cheia de graça, de ternura, de emoção já vista. Já sentida. Já amada.

E foram tantas noites de suspiros, de calor, de emoção dos corpos sob a Lua e sobre a Lua. Suor... boca sedenta.. corpos em desejo... pura emoção.
Mas ela se foi.

O sol apareceu, a fase mudou e o planeta girou.
Um novo calendário, uma nova festa. Outros montes, outras estrelas, mas nunca a mesma lua.

De repente ela surgiu.
Do nada.
Parecia que nunca mais surgiria. Mas surgiu.
Provocou ressaca nos mares e maré baixa na praia.

Olhei encantado.
Pus meus pés na areia e hipnotizado caminhei na direção dela.
Nunca se soube o que aconteceu. Apenas caminhei.

domingo, 25 de julho de 2010

Por um triz

Vivemos por um triz
Da magia
Dos 15 anos
Da velhice
Do salto
Do mergulho
Do quebra cabeças
Do engano
Da ida
Da volta
Da esquina
Do viaduto
Da canção
Da solidão
Do parto
Do sim
Do não
Do longe
Do perto
Do Paranoá
Da Rodrigo de Freitas
Da Pampulha
Da lagoa serena
Do desejo
Do seu
Do meu
Do nosso
Do beijo
Da loucura
Do fim.

Quarto

Era apenas uma quarto
Dalí se pulava a janela
Rabiscava a parede
Jogava almofadas
Pois era apenas um quarto

Não se pedia perdão
Se o pecado original acontecesse
Pois alí podia, sem filosofia
Sem pudor.
Pois era apena um quarto.


Me tranqui alí dentro
Envelheci com meus medos
Estilisei minhas professias
E me deitei para dormir

Ali mesmo
Pois era apenas um quarto.