domingo, 19 de outubro de 2008

Brasileira comemora 15 anos do recorde da travessia do Canal da Mancha


Algumas coisas deveriam ter mais destaque. Por exemplo, se há um feito histórico na economia mundial esse feito vira manchete. Se há uma nova descoberta nas pesquisas com as questionadas células-troncos, merece manchete. Se a seleção brasileira goleia e Venezuela (mais uma vez diante de tantas outras goleadas já registradas no confronto entre as duas seleções) está lá, na manchete.

Como jornalista, vi algumas reportagens minhas destacadas na capa de um jornal que trabalhei durante nove meses no interior de São Paulo. Ora o assunto era inédito (o chamado furo de reportagem) ora a repercussão deste ou de outro assunto.

Mas ainda sim, acredito que algumas coisas deveriam ter mais destaque.
Há algumas semanas, Ana Mesquita (pessoas por quem tenho um carinho e uma admiração particular) comemorou 15 anos de um feito que ficou registrado nos anais da história do nosso esporte: atravessou a nado o canal da Mancha deixando sua marca registrada também no livro dos recordes ao fazer o melhor tempo de um atleta sul-americano.

Mas folheando as páginas dos jornais de esporte dessas últimas semanas não vi em nenhum destaque, alguma chamada comentando o feito. Talvez uma nota, quem sabe? Afinal, nesses quinze anos quantas vezes o Brasil bateu a Venezuela (por goleada) e mesmo assim continua sendo novidade. Nada. Minhas esperanças pareciam naufragar.

Mas ao visitar hoje a minha amiga Ana Mesquita, vi que ela escreveu em seu blog um texto intitulado “Celebrar”, ilustrado com a cópia da matéria que falava de sua façanha, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 29 de agosto de 1993. Quando Ana me mostrou o texto toda entusiasmada, pensei que fosse ler naquelas linhas uma verdadeira festa, mesmo que particular de Ana, comemorando a sua conquista e a sua marca que ninguém conseguiu bater até hoje.

Mas, pra minha decepção, acredito que algumas coisas deveriam ter mais destaque.
Ana desenvolve o seu texto falando de celebração em suas mais variadas formas. Cita Rubem Alves, comenta o aniversário de sua irmã e só lá no finalzinho, como se fosse uma nota de roda-pé ou como se já estivesse cansada das braçadas nas frias águas que até hoje ela lembra com temor (ela odeia passar frio – não sei se isso acontecia antes da travessia) comentou sobre os 15 anos de sua travessia. Parecia que estava na água, sozinha, nadando e sem poder comentar com ninguém o que se passava por sua cabeça durante aquelas 9h40 minutos.

Qual o que Ana? Se o Brasileiro não sabe dar valor aos seus heróis, se a imprensa não recua diante da força do futebol e do mercantilismo que ele proporciona, por que logo você não se deu destaque? O blog é seu e ali você poderia ter feito a maior festa. Você tem um oceano de espaço para falar do feito que todos nós (pessoas que a conhecemos e que a admiramos) sabemos o quanto foi e o quanto significa para você ter vencido esse desafio.

Vá lá menina (sim, ainda é uma menina, o que ela faz nadando muita gente não faz andando - nem eu) e mostre do que você é capaz, afinal acho que foi nadando que você aprendeu a escrever tão bem, pois sabe com maestria trabalhar as palavras que veem como ondas em sua imaginação.