sábado, 8 de setembro de 2007

O segredo de uma mulher


O segredo de uma mulher se mistura ao desejo escancarado e disfarçado pelo poder feminino. Ele [o segredo] existe, é dividido com ele, é disfarçado dele, é negado a ele, mas a mulher, por ser mulher, brinca com a sua insinuação e por vez ou outra perde o controle de negar o seu desejo.

O segredo da mulher está no desejo de dominar e de ser dominada. De ser amada e desejada. De saborear o gosto da paixão e de deixar ser saboreada por uma paixão que ela carrega, mas resiste ali, no seu canto, retorcendo-se, imaginando-se, disfarçando-se, negando-se e quase se entregando, mas consciente de que tal paixão é conseqüência do seu único segredo: o de sedução.

A sedução não é o segredo da mulher é natural dela. O segredo da mulher está no mistério de ser seduzida, conduzida, desejada, possuída, até não suportar resistir e explodir de prazer, deixando-se dominar e ser dominada.

E é justamente essa variação de desejos e concepções que revelam o segredo da mulher em meio a um nevoeiro úmido como a noite, como a mulher, que aos galopes dos dedos dele, que se esbarram em suas pernas discretamente arrancando de forma inocente e sedutora toda a sua concentração, sente um arrepio que lhe permite cair de joelhos e entregar-se ao homem que a prende pela cintura.

O olhar é profundo.
A pele alva permite um carinho.
A boca molhada exige os beijos.
As pernas dela se abrem e se fecham às dele.

O segredo está descoberto. A mulher é amada e desejada e por fim, entrega-se à paixão regada por um segredo eternamente protegido por ele.

domingo, 2 de setembro de 2007

Notuno


Pelo amor de Deus, só me abandone de noite
Se quiser viajar sem mim, se ficar louca por outra pessoa,
Ou até se quiser visitar sua família e não me levar,
Vá de noite.

Nunca, mas nunca mesmo me deixe de dia.
Não vá me expor há um só segundo aos camelôs gritando,
Ao sol a pino,
À modernidade clara.
Fica comigo mesmo sem querer só até às seis da tarde.

Não me deixe sozinho com as mulheres gordas no supermercado,
Os senadores atrasados, as lanchonetes rapidinhas.

Agora, de noite, pode ir.
Eu e os meus fantasmas, apesar de saudosos,
Sobreviveremos à sua falta.