quarta-feira, 7 de março de 2018

Domínio e Sedução






Havia um poder em você que derramava sobre mim suas armadilhas. E quando me tocava, olhava profundamente como se me desejasse ao seu modo de possuir.

Caminhei até você mas fui parado com sua mão em meu peito. Olhou-me novamente; provou do Pinot Noir em sua taça; e para livrar-se de mim jogara meu corpo sobre sua cama.

A reação foi praticamente nula, pois quando pensei em levantar-me, vi você atravessar sua perna e, como quem se ajoelha perante Baco, confortou-se sobre meu colo.

Outro gole do vinho e despiu-se da peça que lhe envolvia; a mesma camisa que eu usara na noite anterior.

A lingerie preta era a sua única proteção. Seu corpo me prendia e a imagem refletida em meus olhos fazia com que minha boca ficasse cada vez mais sedenta.

Saciava-se com o vinho em ondulações de serpente, fazendo-me ofegante a cada tremulação pélvica sobre meu corpo.

Prendeu-me os braços.

E como se transferisse para minha boca aquele veneno, beijou-me com o desejo frutado da uva.

Puxou os meus lábios vagarosamente com seus dentes e como quem implora para saciar-se da sede, engoli seco e mantive-me com a boca aberta na esperança de receber outro gole.

Repetiu.

O beijo e os movimentos.

Por vez vagarosamente. Por ora na aceleração de nossa respiração... uníssona.

Permitiu-se ao prazer sem que me desse a chance de alcançá-la.

Maliciosa, sorriu.

Levantou-se vagarosamente disfarçando as pernas trêmulas.

Como seu poder de deusa, zombou da minha vontade.

E com sua taça, desfilou perante meus olhos sua beleza de Ariadne e a sensualidade de Afrodite.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

To be continue...




Parte I

Não imaginavam o quanto sofreriam, cada um com seu orgulho, pela falta que um faria ao outro, quando se despediram naquela noite.

Ela, sem acreditar que ele havia acatado à sua proposta, teve medo de cometer o maior erro de sua vida. Ele, esperando que ela tivesse (in)certeza daquilo que havia pedido, remoeu por dentro os ciúmes que o corroía, e a deixou.

Olharam-se nos olhos e ela pediu “beija-me logo e não me deixe partir”, mas na verdade não moveu os lábios.

Enxergaram ali o amor que existia entre os dois. Ele a beijou sabendo que não seria o último beijo, mas teve que engolir a seco o sabor do “me dá um tempo” recheado com um “sim” sem nenhum tempero de verdade de suas partes.

Afastou-se e disse “eu te amo, vem aqui, não vou deixá-la partir”, mas também não deixou sonorizar nenhuma palavra que ela pudesse escutar.

Subiu as escadas sem olhar para trás e soube que ela havia seguido pela mesma rua que o deixou naquela noite.

A falta dele a fez perder o sono pelas noites seguintes e deixou os dias sem graça. Teve raiva da frieza e da sinceridade que ele demonstrou. Prática, era ela o equilíbrio racional da relação e não esperava que ele pendesse para o lado dela. “Não podia ter feito isso”, reclamou ao virar-se na cama, imaginando o abraço que ali faltava.

Agarrou-se ao amor do filho e da pequena Cristal, a cachorrinha que ele tanto gostava de segurar na hora dos banhos de domingo, e tentou dormir.

A falta dela o fez perder o sono pelas noites seguintes e deixou os dias mais longos. Teve raiva da frieza com que ela havia lhe pedido para pensar. Romântico, era ele o equilíbrio das emoções da relação entre os dois e não esperava que ela dissesse aquilo logo depois de fazerem amor. “Não podia ter feito isso”, reclamou ao abraçar o travesseiro como se aconchasse a ela na cama vazia.

E agarrou-se aos amigos que estiveram com ele quase o tempo todo, menos no domingo à tarde, quando a dor parece ser maior para todo mundo.

Parte II

Não imaginavam que estariam lado a lado no próximo encontro. Mas, “dizem que o amor atrai”.

Sem ter opção, ele se aproximou em silêncio templário que o local exigia e sentou-se ali sob o olhar de todos que o condenavam pelo atraso na reunião que participavam.

Ele sorriu sem graça, mas ela notou o brilho nos olhos dele.

Ela fez que não se importou mas olhou pra ele e disse “achei que você não viesse, estava ansiosa para te ver, fica aqui comigo”, e em pensamento, junto com suas palavras imaginárias, deitou-se sobre o colo dele que, com as mãos trêmulas e frias – sempre fica assim quando está nervoso – a acariciava o rosto e os cabelos.

Saíram dali com sinais do corpo. Os braços cruzados os defendiam, mas queriam mesmo era entrelaçar os bracos em abraços que os permitissem sentir o coração um do outro, numa proteção mutua.

- Eu te amo, disse ele.

- Eu também te amo, sabia?

E finalmente se abraçaram.

Parte III


Pediu a ela que não partisse quando se encontraram deitados lado a lado, uma noite antes dela embarcar para uma viagem que poderia mudar as vidas. Ela demonstrou seu amor e seu medo, mas sabia que tinha que ir.

Os dois se olharam nos olhos e se desejaram como sempre se desejaram. Mas na prática tiveram medo daquele momento ser uma despedida. E se fosse, seria merecida, pois teriam corrigido os erros da última vez que fizeram amor. Mas foram prudentes.

O sol raiou e as flores a fizeram sorrir com ar de quem reconhece estar apaixonada por tanto carinho.

Dividiu com ele as suas maiores alegrias daquele dia, mas precisou partir.

- Embarque encerrado, avisou a ele.

- Me leve em seu coração, pediu a ela.


Não imaginavam que se amavam tanto e o quanto queriam (e querem) estar perto um do outro.

To be continue...

Or not.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Indo embora


Meu amor, estou te perdendo.


Pode parecer estranho, mas eu sinto isso em tua voz. Ela não soa mais com as mesmas palavras de antes.

Você acha que não percebi, mas tem três semanas que tu não dizes que me amas. Desse tempo pra cá, não pediste nenhuma vez para que eu voltasse para os teus braços. Não disseste que sentes minha falta e nem cogitaste a ideia de perguntar quando eu volto pra te ver.

Sim eu sei. Estou te perdendo.

Às vezes quero saber quem é ele e como conseguiu fazer com que tu desviaste o teu olhar de minha direção. Ou será que fui eu quem me afastei demais?

Mas eu juro eu sempre quis trazer-te comigo. Lembra, eu te chamei?

Te trouxe e mostrei a ti os lugares mais lindos, mas tu, não ficaste.

E mesmo distante, amor meu, eu sabia que estavas me amando. E te amava também.

Sentia tua presença e sorria a cada pedido teu: “volta”. Mesmo não podendo, eu ficava feliz.

E hoje? Ah... hoje eu estou te perdendo.

Podes não acreditar mas eu vi. Eu vi que tu esqueceste de nós dois na sala, no quarto e de todos os cantos da tua nova casa.

Eu vi que mudaste os planos e que não me incluíste neles. 

Vi que a nossa cozinha, onde celebramos momentos deliciosos e brindamos a nossa alegria e o nosso amor, hoje não tem lugar pra mim. Porque estou te perdendo, né?

É eu sei.

Parece difícil de acreditar, mas eu sei que estou te perdendo.

E isso dói.

Dói mais do que aquela carta de despedida. Dói mais que uma fotografia borrada. Dói porque amputas de meu peito a parte que nele ocupavas.

Então, eu vou me embora.

Desculpa amor. Eu te amo. Sempre vou te amar.

Mas hoje, eu sei que te perdi.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Para merecer a intimidade de uma mulher



Quer merecer estar com uma mulher em sua plena intimidade? Conquiste-a.

Olhe nos olhos dela e sorria!

Abrace-a com energia, com vontade, mas com respeito. 
Leve-a para um jantar e sirva um bom vinho, ou para petiscar com uma cerveja gelada.

Faça ela sorrir. Dar risada. Arranque brilhos de sou olhar.
Mande um "zap" despretensioso, mas não na madrugada. E seja carinhoso.

Uma rosa (pode ser roubada), um bilhetinho na mesa dela, um sonho de valsa. Dois Bis, afinal, quem come um...

Recite um poema. Escreva um poema. Mesmo que não tenha rima vale a pena. 

Mande uma carta com selo e tudo.
Mande uma foto de um lugar que queira dividir com ela.

Descubra seus gostos, preferências e sabores. Surpreenda-a. E repita.

Viaje com ela para praia, para as montanhas, para Istanbul. Para Lisboa, Porto, Europa, Ásia ou África do Sul.

Ria dela, mas com ela. Sorria pra ela.

Dê-lhe força, apoie, pergunte como foi, chame-a a atenção quando não perceber os exageros. Cuide dela. Elogie.

Convide-a para passear, leve seu cachorro e lhe mostre as curiosidades pelo caminho. Seja parceiro, companheiro e educado. Conquiste-a novamente.

Descubra livros. Assista aos filmes dela.
Convide-a para o cinema, para um almoço, para um café no meio do dia. Procure entender se ela não puder. Dê a ela espaço para fazer suas coisas. Não a sufoque.

Cozinhe pra ela. Para os amigos dela. Seja amigo dos amigos dela.
Apresente-a aos seus, compartilhe momentos e construa muitos outros.

Seja simples, econômico nos tempos de crise. Um omelete gourmet com manjericão pode substituir um prato de camarão. Aliás, descubra se ela tem alergia, se é vegetariana ou vegana. Você terá que substituir o omelete (ou o camarão) por outra coisa, por exemplo.

Tome banho de chuva. Faça cafuné. Um carinho no rosto. Chocolate quente, goiabada cascão ou doce de leite.

Seja belo, cuide-se. Seja inteligente, estude. Seja verdadeiro, não invente. Sinceridade e honestidade sempre.

Quer merecer estar com uma mulher em sua plena intimidade? Faça tudo isso diariamente.


Ame-a.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Traços de mulher


Qual traço seria mais perfeito
Se não aquele que desenha teu rosto?

E dentro dele tantos outros que me mostram
                      Seus olhos
                                       Sua boca
                                                Seu pescoço...

Que atraem meus desejos
Em secretos anseios
De traçar minhas mãos
Pelas curvas de teu corpo.

Tão perfeito desenho em preto e branco...
Marcado por tua pele alva
E por teus olhos em prantos.

Não chores, menina
Pois mais belo que o desenho de teu corpo
São os traços de sua alma felina.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Para Sarah e Pedro


Oi Sarinha, bem vinda dos meus sonhos. 

Te vejo tão pequena embrulhada nestes panos que nem sei encaixar-te em meu peito. E quando consigo, ops, lá vai Sarinha.

Vai correndo pelo quintal e nem parece que foi ontem que ainda engatinhava pela casa. 
Corre, pula, sobe na árvore, eita menina sapeca. E quando penso em cantar ciranda vc diz: "Papai, isso é coisa de criança".

E se foram apenas alguns momentos e já sabe ler, escrever, contar e multiplicar os anos em seu sorriso. Hora sem o dente da frente, hora sem o canino. Aparelho depois do tombo da bicliceta e quando vê, lá se foi o siso.

Juízo Sarinha. Meia noite em casa, pois já estou velho para sair pela madrugada.
Morro de ciúmes dessa moçada que te rodeia. Olha a saia curta, precisa sair assim dessa maneira?

Não chore Sarinha. Lágrimas em vão. Você merece coisa melhor, alguém que te ame como eu amo a tua mãe.

Aliás, ela perguntou se chega para o jantar. Vai ficar doente se não comer e só estudar.

Boa sorte Sarinha, você vai conseguir. Nem bem passou no vestibular e já te preparar para partir. 

Quando jovem, eu também fui estudar em outro país. Você vai gostar, mas não venha com essa hitória de noivar. Você está muito nova.

Vá ser feliz, Sarinha. Quando vem nos visitar? Sua mãe quer que venha para o Natal, está com saudade do Pedrinho. O seu irmão que não veio, nos alegra como netinho.

E eu o vejo tão pequeno embrulhado nestes panos que nem sei encaixá-lo em meu pranto. E quando consigo, ops, lá vai Pedrinho...  

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Desejos revelados


Era apenas para admirar o belo sorriso dela, já que ele não tinha o direito de sinalizar a vontade de beijá-la. Admirar em silêncio e tocar os seus lábios com os olhos, como faz uma criança frente a uma vitrine de doces coloridos e sortidos.

No entanto, o que os olhos enxergam e a mente imagina, às vezes transborda em desejos. E sem que pensasse em uma só palavra deixou escapar: "adorei a cor do seu batom".

Sua face alva imediatamente se tornou rubra de baixo a cima, como uma taça que se enche com o mais tinto sabor de Baco. E transbordou.

Aquele desejo derramado dominava seu imo e se espalhava como uma chama que oxidava todo o ser. Era ardência pura.

Suas conversas eram leves desde o primeiro encontro. As afinidades misturavam-se às espontaneidades, aos sorrisos e aos olhares discretos. Tão discretos que mal se olhavam, mas suas almas enxergavam e foram elas que lhes revelaram o desejo a cada um.

A dele, quando certa vez em um devaneio noturno, encontrara com a dela em algum lugar longe dali de onde se viam. Tinha sol ainda, mas o crepúsculo que fundia o dia com a noite foi o ingrediente essencial para que seus lábios se encontrassem na mesma proporção, até que se tornassem um, num único desejo dividido entre os dois.

A dela, quanto certa vez, em sonho, o assistia preparando um jantar. A taça era de Brunello ou Pinot Noir - não importa agora - que regava a secura de suas bocas, que imploravam pela hidratação de seus beijos.

Por um instante ela acordou ali mesmo, como se alguém chegasse. Mas logo sua alma se permitiu a voar para os braços dele, onde se desfez em chama de pecado e ardor de desejos.

Os corpos se arrepiavam a cada suspiro.
As bocas buscavam ar a cada instante que a do outro buscava outra parte do corpo alheio.
Ora o pescoço dele; ora os seios dela.
Ora o seu peito; ora o umbigo e a língua a escorrer como uma gota de suor que desce, à medida em que o calor aumentava.
Gemidos de aflição...
De desejo...
De tesão.

As mãos já não os obedeciam apenas deslizavam.
Ora tocavam aqui; Ora tocavam lá. E se encharcavam nos desejos que transbordavam pela pele.
Os poros se encontravam tão intensamente que eram epiderme, derme, carne, alma... e suspiros.

Era para ser apenas anseio, desejo e ambição. Mas revelaram os seus sonhos e agora engolem a seco tentando esfriar aquele calor que lhes sobe pelo peito. A garganta seca inquieta a alma.

E seus olhos ainda continuam se beijando, mesmo que o outro não saiba, assim como se beijam suas palavras, seus encontros, seus toques, seus abraços. Até um "bom dia" para eles significa um beijo recheado de desejo que transborda e que transbordará até que se afaguem; até que se amem; até que se entreguem de corpo inteiro.

Mas só de corpo, pois as almas já se lambuzaram de tesão.